Intervención del Coronel aviador Villalobos Filipe de la Asociación 25 de Abril

Nuestros compañeros de la Asociación 25 de Abril nos envian un nuevo discurso con motivo de las celebraciones de la revolución portuguesa. 

En esta ocasión se trata de la intervención del Coronel aviador Villalobos Filipe que puede ser descargada en pdf siguiendo este enlace .

COMPANHEIRAS E COMPANHEIROS DE ABRIL
(2013)

Mais   uma   vez   descemos   a   Avenida   da   Liberdade   comemorando   o   39.º Aniversário do 25 de Abril de 1974.

Esta    grandiosa    Manifestação    Popular,    de    comemoração    daquele    dia inesquecível que libertou Portugal e reafirmou o valor da Liberdade, da Paz e da Solidariedade, constitui, também, uma acção de repúdio, contra as políticas que nos estão a conduzir para o abismo.

Este governo deitou para o lixo os compromissos eleitorais e tem procedido a uma alteração encapotada da Constituição da República Portuguesa, tendo perdido, por isso, legitimidade política.

A democracia está em perigo!

O recente Acórdão do Tribunal Constitucional, chumbando algumas das propostas do Orçamento de Estado para 2013 e repetindo o chumbo do ano passado  a propostas idênticas, é prova do desrespeito do  Governo pela Lei Fundamental.

Estão  a  ser  impostas  medidas  inauditas  de  austeridade  e  limitadoras  das relações de trabalho, sem que os portugueses vejam os resultados de tantos sacrifícios, a não ser o empobrecimento crescente, o aumento do desemprego para níveis insustentáveis e o ataque ao Estado Social, atingindo a generalidade das famílias e com particular incidência as populações mais idosas e com rendimentos mais baixos, o que nos conduz a uma recessão prolongada.

Para impor os cortes e a super-austeridade o Governo utiliza a falácia da culpabilização,  afirmando  que  «gastámos  acima  das  nossas  possibilidades», num objectivo claro de: «transferir para todos   a “culpa” do endividamento, e preparar-nos para a expiação dessa “culpa”, impondo à maioria o custo do “ajustamento”»1.

A situação do país  é dramática, no que toca  ao crescimento económico  em recessão   profunda,   com   os   indicadores   do   défice   e   do   desemprego   a agravarem-se, enquanto o peso da dívida pública no PIB não cessa de aumentar, atingindo já 126,3% do PIB nacional, cerca de 209 mil milhões de euros2.

Também, o desemprego real3, que atinge já um milhão e trezentos mil portugueses (23,7%), e a exclusão social que o acompanha, constituem a face visível mais trágica destas políticas neoliberais, e continuarão a aumentar se persistirmos nesta trajectória.

O agravamento desta situação corresponde ao cumprimento de um programa imposto do exterior que aposta na diminuição dos salários, na constituição de um exército de mão-de-obra barata e na desarticulação do frágil tecido de pequenas, médias e micro empresas, sustentáculo da actividade económica portuguesa.

Portugal, chegou a uma nova encruzilhada da sua História e, como em todas as outras, terá de ser o seu Povo a encontrar em si a vontade e a energia para a ultrapassar, na certeza de que a austeridade não contribui para a amortização da dívida, antes a agrava.

NÃO!, a austeridade não é compatível com o crescimento económico!

Com a pesada austeridade que nos é imposta, a situação económica e social continua a piorar, transformando Portugal numa “colónia” do capital financeiro internacional, com a captura do Estado por interesses particulares e a sujeição colaborante              do               poder       político                         aos  directórios           da      finança          nacional          e internacional, perante a complacência do Presidente da República.

Com a ausência de uma estratégia nacional integrada, com a de outros países e povos,  colocados  em  situações  idênticas   no  sul  da  Europa,  Portugal  foi conduzido à situação da grave crise em que nos encontramos.

O empobrecimento generalizado – um quarto da população portuguesa passa fome,   a   emigração   cada   vez   maior   de   jovens   com   elevada   preparação académica e sem perspectivas de futuro – 40% vivem na dependência das famílias,  o alargamento do fosso entre a minoria dos muito ricos e a massa cada vez maior dos muito pobres, a corrupção e a ineficácia na aplicação da justiça, não param de aumentar.

A corrupção, a fuga de capitais para paraísos fiscais (que segundo a Comissão Europeia atinge na Europa um bilião de euros anual)4, o brutal assalto fiscal e o agravamento da austeridade para 2013, concorrem decisivamente para a actual subalternidade do País.

De modo sistemático, as “elites” portuguesas têm vindo a resolver os assuntos europeus à porta fechada, nunca chamando a população a pronunciar-se democraticamente sobre as decisões que lhe dizem respeito, como aconteceu com a adesão à moeda única, com o Tratado de Maastricht, ou com o Tratado de Lisboa.

Impõe-se questionar e responsabilizar o poder instituído pelo resultado dos seus actos e omissões.

Hoje, Portugal encontra-se espartilhado por uma moeda única que deveria constituir o primeiro passo político para um projecto europeu solidário, de união monetária e política, onde se pretendia a valorização e responsabilização do trabalho, mas que foi posto em causa pela desregulação financeira e pelo directório europeu.

O momento que vivemos é de emergência nacional!

A sociedade civil tem de se organizar para ser uma presença forte e complementar da democracia representativa, e exigir a união de todas as forças políticas,  numa  frente  comum  de  combate,  à  situação  dramática  em  que Portugal se encontra,  independentemente do seu posicionamento no quadrante do poder, e unirem-se para a resolução dos problemas reais da economia.

As  diferenças  ideológicas  não  podem  continuar,  a  separá-las,  mesmo  na “coligação, que já foi…!”5, no dizer de Baptista-Bastos.

É imperioso que todas as forças se unam patrioticamente, para,   todos juntos, vencermos esta crise. Também, o Presidente da República, não pode abstrair-se da  gravidade  da  situação  e  tem  o  dever  de  contribuir  activamente  para  a solução.

 O actual regime político pode estar em causa!

Estão surgindo novos movimentos sociais e cívicos, novas formas de acção. Há que apoiá-las sem preconceitos e avançar com as forças e movimentos sociais portadores de futuro e de grande convergência patriótica e democrática.

Os portugueses não podem resignar-se!!!

Sempre souberam nos momentos de emergência nacional, assumir as suas responsabilidades e responder ao que deles a pátria exigia. Estamos em luta, não podendo desistir da intervenção cívica em alternativa à ruptura social que se adivinha.

Têm de assumir a gravidade do momento  de “emergência democrática” que vivemos, na defesa da Constituição da República e do Estado Social, exigindo a urgente mudança da praxis política, a verdadeira renegociação da dívida e o fim da austeridade.

Como fiel depositária dos Valores de Abril, a A25A tem o dever de gritar BASTA. Em coerência com os seus fins estatutários não podemos trair o compromisso de solidariedade, firmado em 25 de Abril de 1974, com as classes laboriosas e mais desfavorecidas do Povo Português.

Nesse sentido, e procurando contribuir para a solução, a A25A, irá ao longo do ano promover um ciclo de iniciativas cívicas, extensivas a todo o País, sob o lema «Vencer o Medo, Reafirmar Abril, Construir o Futuro», preparatórias das Comemorações   do   40.º   Aniversário   do   25   de   Abril,   que   culminará   num

“Congresso da Cidadania”.

Reafirmamos, uma vez mais, o nosso respeito pela instituição militar, certos da sua identificação com a Nação, e de garante indispensável para fazer face às ameaças e riscos actuais e futuros.

Enquanto militares de Abril, reafirmamos, também, a nossa convicção quanto à vitória futura dos valores da Democracia e da Liberdade, enquanto factores de Desenvolvimento.

Valores que não são viáveis sem o Estado Social, que é a essência da própria Europa, e garantia, há perto de 40 anos, de uma situação de paz, progresso, bem estar e justiça social.

Os valores de Abril que mais uma vez estamos a comemorar, terão de ser, a bandeira à volta da qual se juntem os portugueses, decididos a lutar por um Portugal Independente, Democrático e Justo.

Concluo, citando o poeta Ary dos Santos, num grito de esperança sobre

 “O FUTURO”

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«Isto vai meus amigos. Isto vai.
O que é preciso é ter sempre presente
Que o presente é um tempo que se vai
E o futuro é o tempo resistente.»

«Depois da tempestade há a bonança
Que é verde como a cor que tem a esperança
Quando a água de Abril sobre nós cai.
«Isto vai meus amigos. Isto vai!»

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Viva o 25 de Abril
Viva Portugal
Lisboa, 25 de Abril de 2013

1 “Conhecer a dívida para sair da armadilha – Relatório Preliminar”: Iniciativa para uma auditoria Cidadã à Dívida, Lisboa 2013, p.10.
2 Nuno Saraiva: “Desabafo Indignado”, DN 20, Abril 2013, pp.6,7.
3 Eugénio Rosa: Inclui o desemprego sombra.
4 Gian Paolo Accardo: “presseurop”, Editoriais, 05 de Abril 2013.
5 DN: Baptista-Bastos, 17Abril 2013, p.9